FUENTE: A Cidade das Mulhres-Ruth Landes-1967
lunes, 1 de agosto de 2011
domingo, 27 de febrero de 2011
1920- Urucungo a gemer na cadência do jongo
Do taquaral à sombra, em solitária furna,
(para onde, com tristeza, o olhar curioso alongo),
sonha o negro, talvez, na solidão nocturna,
tom os límpidos areais das solidões do Congo.
Ouve-lhe a noite a voz nostálgica e soturna,
num suspiro de amor, num murmurejo longo,
e o rouco, surdo som zumbindo na cafurna,
é o urucungo a gemer na cadência do jongo.
Bemdito sejas tu, a quem, certo, devemos
a grandeza rial de tudo quanto temos!
Sonha em paz! Sê feliz! E que eu fique de joelhos,
sob o fúlgido céu, a relembrar, magoado,
que os frutos do café são glóbulos vermelhos
do sangue que escorreu do negro escravizado!
Ciro Costa
(Brasileiro)
FUENTE: (PAG 72) Os cem sonetos ; com um pref. de Mayer Garção (1920), Author: Garção, Francisco de Sande Salema Mayer, 1872-1930, Subject: Sonnets, Portuguese; Sonnets, Brazilian, Publisher: Lisboa : Impr. Nacional, Language: Portuguese
(para onde, com tristeza, o olhar curioso alongo),
sonha o negro, talvez, na solidão nocturna,
tom os límpidos areais das solidões do Congo.
Ouve-lhe a noite a voz nostálgica e soturna,
num suspiro de amor, num murmurejo longo,
e o rouco, surdo som zumbindo na cafurna,
é o urucungo a gemer na cadência do jongo.
Bemdito sejas tu, a quem, certo, devemos
a grandeza rial de tudo quanto temos!
Sonha em paz! Sê feliz! E que eu fique de joelhos,
sob o fúlgido céu, a relembrar, magoado,
que os frutos do café são glóbulos vermelhos
do sangue que escorreu do negro escravizado!
Ciro Costa
(Brasileiro)
FUENTE: (PAG 72) Os cem sonetos ; com um pref. de Mayer Garção (1920), Author: Garção, Francisco de Sande Salema Mayer, 1872-1930, Subject: Sonnets, Portuguese; Sonnets, Brazilian, Publisher: Lisboa : Impr. Nacional, Language: Portuguese
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1920- Urucungo a gemer na cadência do jongo
jueves, 10 de febrero de 2011
1907- PARÁ- Tocador de Berimbau
(pag 9-10)- Chico Berimbau :—Voç6 só conta broca é nessa viola, seu cumpade. Eu quero vê o bicho, mas porém é no berimbau, Rrrraque!
Gregório :
Quando Christo fez o mundo,
não foi tudo dua veis,
criou gente, criou burro,
cada quá cum sua leis,
e também p'r'os tratamento
fez sinhores e vocêêêês ...
(Palmas do auditório).
Chico Berimbau:—Inda qui má lhe pregunte: de que seltão você é, cabra dos diabo ? Rrrraque ! . . .
—Sô d'ua terra damnada
qui é mciis ruim qui o Piancó,
onde faca não tem pena nem bacamarte tem dó quando um cabra vae p'r'a cova,
leva três, já não vae sóóóó . .
—Tá se vendo mesmo pulo teu ôio qui
você não é boa bisca. . . Mas não toca -berimbau.
Tá hi. Rrrraque !
—Não seio se é rezão minha,mas porém não digo mau no meu tempo era só preto qui tocava berimbau,
bebendo na cuia cheia cachaça cum mé de paaau. .
— Você é bruto ! Rrrraque !
ZÉ Botija:—Home, você já tá cuspindo muito fora do caco !
Vá você cum seu birimbau lá p'r'a casa do cão, e deixe nós aperciá o cantado.
—Sarta, coruja, qu'eu sô altista! Rrrraque!
João Vareta :~Não pôde insurtá o altista na sceença d'elle !
Tá incommodado, mude-se!
—Bravíssimo ! Rrrraque !
Dois partidos logo se formaram : um do Gregório, outro do Chico Berimbau, e choveu murro¡
Infelizmente, quem sahiu mal do turumbamba foi o conspícuo cantador, que viu em estilhas a sua adorada Patadva. o pinho mais famoso e querido nos sambas do Áracaty.
FUENTE: Pessoal d'arrelia ; Que tenho eu com isto? [microform] : em commemoração ao 32. anniversario d'A Provincia do Pará (1907), Author: Canto, João do; Canto, João do. Que tenho eu com isto?, Publisher: Belém, Pará : Secção de Obras d'A Provincia do Pará, Language: Portuguese
Gregório :
Quando Christo fez o mundo,
não foi tudo dua veis,
criou gente, criou burro,
cada quá cum sua leis,
e também p'r'os tratamento
fez sinhores e vocêêêês ...
(Palmas do auditório).
Chico Berimbau:—Inda qui má lhe pregunte: de que seltão você é, cabra dos diabo ? Rrrraque ! . . .
—Sô d'ua terra damnada
qui é mciis ruim qui o Piancó,
onde faca não tem pena nem bacamarte tem dó quando um cabra vae p'r'a cova,
leva três, já não vae sóóóó . .
—Tá se vendo mesmo pulo teu ôio qui
você não é boa bisca. . . Mas não toca -berimbau.
Tá hi. Rrrraque !
—Não seio se é rezão minha,mas porém não digo mau no meu tempo era só preto qui tocava berimbau,
bebendo na cuia cheia cachaça cum mé de paaau. .
— Você é bruto ! Rrrraque !
ZÉ Botija:—Home, você já tá cuspindo muito fora do caco !
Vá você cum seu birimbau lá p'r'a casa do cão, e deixe nós aperciá o cantado.
—Sarta, coruja, qu'eu sô altista! Rrrraque!
João Vareta :~Não pôde insurtá o altista na sceença d'elle !
Tá incommodado, mude-se!
—Bravíssimo ! Rrrraque !
Dois partidos logo se formaram : um do Gregório, outro do Chico Berimbau, e choveu murro¡
Infelizmente, quem sahiu mal do turumbamba foi o conspícuo cantador, que viu em estilhas a sua adorada Patadva. o pinho mais famoso e querido nos sambas do Áracaty.
FUENTE: Pessoal d'arrelia ; Que tenho eu com isto? [microform] : em commemoração ao 32. anniversario d'A Provincia do Pará (1907), Author: Canto, João do; Canto, João do. Que tenho eu com isto?, Publisher: Belém, Pará : Secção de Obras d'A Provincia do Pará, Language: Portuguese
miércoles, 9 de febrero de 2011
1760- Bahia differentes divertimentos- dansas africanas
...................(pag 53-54) do Ganzá entoados algunas vezes pelas harmonias do Quissange, da Marimba, do Birimbáo ou do Gongon.
No sertão do Maranhão usa-se um batuque originalissimo, que pela denominação dos instrumentos bem parece a transformaço do samba africano em samba brasileiro. Compõe-se este samba ou batuque dos seguintes instrumntos: o Pererenga, atabaque de pequena dimensào que exerce o papel de cantante por ser o mais agudo ; o Fungador, que por ser médio faz o contra-tempo; o Socador, que por ser grave faz a marcação, e finalmente o Roncador, que Por ser muito grande e produzir sons muito graves, exerce o papel de contra-baixo ou bombardon e emitte compassada e alternativamente sons tào profundos e cavernosos que parecem sahirem mysteriosamente das entranhas da terra.
Por occasiào das festas em honra ao casamento de D. Maria I, rainha de Portugal, com o principe D. Pedro, a 6 de Junho de 1760, fizeram-se aqui na Bahia differentes divertimentos, a maior parte dansas africanas, das quaes constam: A Dansa dos Offíciaes de Cutellaria e da Carpintaria assciadamente vestidos com fardas mouriscas; a dansa dos Congos, que apresentaram os ourives em forma de embaixada; o Reinado dos Congos, que se compunha de mais de oitenta mascaras, com fardas ao seu modo de trajar, ………..após as cerimonias da chegada do Rei e da Raina, os Sobas e mais personagens de sua guarda de honra deram començo a funcção, dansando as Tayeras e os qucumbres ao som dos instrumentos propios do seu uso e rito.
FUENTE: A musica no Brasil desde os tempos coloniaes até o primeiro decenio da republica (1908)Author: Guilherme Theodoro Pereira de Mello, Publisher: Typ. de S. Joaquim, Year: 1908, Language: Portuguese
No sertão do Maranhão usa-se um batuque originalissimo, que pela denominação dos instrumentos bem parece a transformaço do samba africano em samba brasileiro. Compõe-se este samba ou batuque dos seguintes instrumntos: o Pererenga, atabaque de pequena dimensào que exerce o papel de cantante por ser o mais agudo ; o Fungador, que por ser médio faz o contra-tempo; o Socador, que por ser grave faz a marcação, e finalmente o Roncador, que Por ser muito grande e produzir sons muito graves, exerce o papel de contra-baixo ou bombardon e emitte compassada e alternativamente sons tào profundos e cavernosos que parecem sahirem mysteriosamente das entranhas da terra.
Por occasiào das festas em honra ao casamento de D. Maria I, rainha de Portugal, com o principe D. Pedro, a 6 de Junho de 1760, fizeram-se aqui na Bahia differentes divertimentos, a maior parte dansas africanas, das quaes constam: A Dansa dos Offíciaes de Cutellaria e da Carpintaria assciadamente vestidos com fardas mouriscas; a dansa dos Congos, que apresentaram os ourives em forma de embaixada; o Reinado dos Congos, que se compunha de mais de oitenta mascaras, com fardas ao seu modo de trajar, ………..após as cerimonias da chegada do Rei e da Raina, os Sobas e mais personagens de sua guarda de honra deram començo a funcção, dansando as Tayeras e os qucumbres ao som dos instrumentos propios do seu uso e rito.
FUENTE: A musica no Brasil desde os tempos coloniaes até o primeiro decenio da republica (1908)Author: Guilherme Theodoro Pereira de Mello, Publisher: Typ. de S. Joaquim, Year: 1908, Language: Portuguese
capoeira fight-dance imported from Angola.
88-89-The Cultura lists:
It was in the study of Afro- Brazilian culture that anthropologists and ethnologists first documented the extensive influence exerted on Brazil by the vast numbers of slaves brought from West Africa, the Congo; and Angola until the traffic was piohiljited in the late 1850' s.12
In the fields of religion, arts, rnuslc, folklore, language, literature, and family life, the Negro in Brazil and especially in the Northeast and Minas Gerais has imparted to the general culture much which serves to distinguish it sharply from, the traditions of the rest of South 13 America and also from those of Portugal. Yoruba and Ewe peoples brought to Bahia introduced their system of deities and rites, which are still worshipped and practiced in the cults of candomble, umbanda, and macumba apparently gaining in popularity throughout Brazil, interweaving with the reverence of Catholic saints to the point of popular
confusion, Yemanja, Ogun, Shango, Nana Buku, Oya and others blend with the Christian figures of Santa Barbara, Santo Antonio, and the Virgin Mary. In music, the famous samba, the maracatii, and the baiao are of African origin, as are such instiijments as the cuica and reco-reco, particularly in evidence at Carnival time, and the berimbau, whose twanging notes signal the start of the capoeira fight-dance imported from Angola.
12 For a guide to the rich bibliography on the subject see Manuel Diegues Junior, "The Negro in Brazil: A Bibliographic Essay, " African Forum . 11, No. 4 (Spring, 1957), 97-109.
13A summary of these contributions was published by Itamaraty for distribution at the 1966 Negro Arts Festival in Dakar, See: Brazil, Ministry of Foreign Relations, The African Contribution to Brazil (Rio de Janeiro: Edigraf, 1966), pp. 1-109.
FUENTE: Afro-Asian dimension of Brazilian foreign policy 1956-1968. (1970), Author: Selcher, Wayne Alan, 1942-, Publisher: [Gainesville] University of Florida, Language: English
It was in the study of Afro- Brazilian culture that anthropologists and ethnologists first documented the extensive influence exerted on Brazil by the vast numbers of slaves brought from West Africa, the Congo; and Angola until the traffic was piohiljited in the late 1850' s.12
In the fields of religion, arts, rnuslc, folklore, language, literature, and family life, the Negro in Brazil and especially in the Northeast and Minas Gerais has imparted to the general culture much which serves to distinguish it sharply from, the traditions of the rest of South 13 America and also from those of Portugal. Yoruba and Ewe peoples brought to Bahia introduced their system of deities and rites, which are still worshipped and practiced in the cults of candomble, umbanda, and macumba apparently gaining in popularity throughout Brazil, interweaving with the reverence of Catholic saints to the point of popular
confusion, Yemanja, Ogun, Shango, Nana Buku, Oya and others blend with the Christian figures of Santa Barbara, Santo Antonio, and the Virgin Mary. In music, the famous samba, the maracatii, and the baiao are of African origin, as are such instiijments as the cuica and reco-reco, particularly in evidence at Carnival time, and the berimbau, whose twanging notes signal the start of the capoeira fight-dance imported from Angola.
12 For a guide to the rich bibliography on the subject see Manuel Diegues Junior, "The Negro in Brazil: A Bibliographic Essay, " African Forum . 11, No. 4 (Spring, 1957), 97-109.
13A summary of these contributions was published by Itamaraty for distribution at the 1966 Negro Arts Festival in Dakar, See: Brazil, Ministry of Foreign Relations, The African Contribution to Brazil (Rio de Janeiro: Edigraf, 1966), pp. 1-109.
FUENTE: Afro-Asian dimension of Brazilian foreign policy 1956-1968. (1970), Author: Selcher, Wayne Alan, 1942-, Publisher: [Gainesville] University of Florida, Language: English
sábado, 8 de enero de 2011
1835-Miudinho-batuque y arco musical
TÍTULO DO ORIGINAL:
ZEHN JAHRE IN BRASILIEN
Während der Regierung Don Pedro's und nach dessen Entthronung. - Mit besonderer Hinsicht auf das Schicksal der Ausländischen Truppen und der deutschen Colonisten. Von CARL SEIDLER Vormaligen Offizier in Kaiserlich brasilianischen Diensten. Quedlinburg und Leipzig Druck und Verlag von Gottfr. Basse 1835
144 CARL SEIDLER
. Se bem que nesse ato solene não houvesse ninguém de ânimo alegre, explodiu generalizada gargalhada ; o padre, a quem o laço passara pelo meio das pernas, com um valente salto para o ar nos revelou que só a batina lhe velava a nudez ; refeito do susto, levantou- se depressa do chão. a berrar aos músicos que tocassem o miudinhio (sie) (dansa muito comum no Brasil, mas muito indecente).
204 CAKL SEIDLER
Dois homens fortes carregavam um grosso pedaço de tronco oco, revestido de couro, no qual logo um deles entrou a bater com os pés como num tambor (120) ; outros instrumentos, de sons que casavam com o do tambor, apareceram pouco a pouco e rompeu uma música pela qual certamente teria manifestado respeito o próprio tambor-mor Rossini...... Começou depois ao ar livre um baile, que regulava com a música e a cantoria. Imaginem-se as mais detestáveis contrações musculares, sem cadência, os mais indecentes requebros das pernas e braços semi-nus, os mais ousados saltos, as saias esvoaçantes, a mímica mais nojenta, em que se revelava a mais crua volúpia carnal — tal era a dansa em que, desde o começo as graças se transmudavam em bacantes e fúrias
(120) O que o autor aí refere é uma legítima cerimonia africana. No Rio Grande do Sul, pelo menos até 1902, esses festins não eram raros e os brancos davam- lhes o nome de batuque. Em Porto Alegre o autor desta Nota quando menino viu coisa semelhante.
DEZ ANOS NO BRASIL 237
Nos dias de festa também lhes é permitido de se entregarem livremente a seus folguedos. Costumam então reúnir-se em lugares a isso destinados, perto das cidades, para esquecerem com a música e a dansa as penas e tristezas da semana. Os instrumentos musicais de que aí se servem são em regra extremamente simples, o que não impede que toquem alguns deles com grande perícia. O mais importante deles consiste numa meia cabeça ou porongo, com hastezinhas de ferro, o qual de todos é o que soa mais agradavelmente. Também usam uma corda de tripa esticada sobre um arco, bem como tocam com as mãos uma espécie de tambor.
302 CARL SEIDLER
"Ora!", teria respondido D. Pedro ao bajulador, "que grande coisa perdi eu? Tinha que ineomodar-me com problemas de governo e na Europa viverei de futuro em feliz far niente (sie) e quando muito tocarei de vez em quando, para mim e a minha roda, um miudinho"
Nota: BIBLIOTECA HISTÓRICA BRASILEIRA, Direção de Rubens Borba de Moraes, VIII, Cari Seidler. ex-oficial do Império Brasileiro, Dez anos no Brasil TRADUÇÃO E NOTAS DO, GENERAL BERTOLDO KLINGER, PREFÁCIO E NOTAS DO, CORONEL F. DE PAULA CIDADE, Ex-professor de história militar. Doação de ambos à Biblioteca Riograndense, da cidade do Rio GrandeLIVRARIA MARTINS, RUA 15 DE NOVEMBRO, 13B, S. PAULO.
Trabalho composto e impresso na EMPRESA GRÁFICA DA "REVISTA DOS TRIBUNAIS" LTDA. À rua Conde de Sarzedas, 38 — S. Paulo para a LIVRARIA MARTINS em novembro de 1941
ZEHN JAHRE IN BRASILIEN
Während der Regierung Don Pedro's und nach dessen Entthronung. - Mit besonderer Hinsicht auf das Schicksal der Ausländischen Truppen und der deutschen Colonisten. Von CARL SEIDLER Vormaligen Offizier in Kaiserlich brasilianischen Diensten. Quedlinburg und Leipzig Druck und Verlag von Gottfr. Basse 1835
144 CARL SEIDLER
. Se bem que nesse ato solene não houvesse ninguém de ânimo alegre, explodiu generalizada gargalhada ; o padre, a quem o laço passara pelo meio das pernas, com um valente salto para o ar nos revelou que só a batina lhe velava a nudez ; refeito do susto, levantou- se depressa do chão. a berrar aos músicos que tocassem o miudinhio (sie) (dansa muito comum no Brasil, mas muito indecente).
204 CAKL SEIDLER
Dois homens fortes carregavam um grosso pedaço de tronco oco, revestido de couro, no qual logo um deles entrou a bater com os pés como num tambor (120) ; outros instrumentos, de sons que casavam com o do tambor, apareceram pouco a pouco e rompeu uma música pela qual certamente teria manifestado respeito o próprio tambor-mor Rossini...... Começou depois ao ar livre um baile, que regulava com a música e a cantoria. Imaginem-se as mais detestáveis contrações musculares, sem cadência, os mais indecentes requebros das pernas e braços semi-nus, os mais ousados saltos, as saias esvoaçantes, a mímica mais nojenta, em que se revelava a mais crua volúpia carnal — tal era a dansa em que, desde o começo as graças se transmudavam em bacantes e fúrias
(120) O que o autor aí refere é uma legítima cerimonia africana. No Rio Grande do Sul, pelo menos até 1902, esses festins não eram raros e os brancos davam- lhes o nome de batuque. Em Porto Alegre o autor desta Nota quando menino viu coisa semelhante.
DEZ ANOS NO BRASIL 237
Nos dias de festa também lhes é permitido de se entregarem livremente a seus folguedos. Costumam então reúnir-se em lugares a isso destinados, perto das cidades, para esquecerem com a música e a dansa as penas e tristezas da semana. Os instrumentos musicais de que aí se servem são em regra extremamente simples, o que não impede que toquem alguns deles com grande perícia. O mais importante deles consiste numa meia cabeça ou porongo, com hastezinhas de ferro, o qual de todos é o que soa mais agradavelmente. Também usam uma corda de tripa esticada sobre um arco, bem como tocam com as mãos uma espécie de tambor.
302 CARL SEIDLER
"Ora!", teria respondido D. Pedro ao bajulador, "que grande coisa perdi eu? Tinha que ineomodar-me com problemas de governo e na Europa viverei de futuro em feliz far niente (sie) e quando muito tocarei de vez em quando, para mim e a minha roda, um miudinho"
Nota: BIBLIOTECA HISTÓRICA BRASILEIRA, Direção de Rubens Borba de Moraes, VIII, Cari Seidler. ex-oficial do Império Brasileiro, Dez anos no Brasil TRADUÇÃO E NOTAS DO, GENERAL BERTOLDO KLINGER, PREFÁCIO E NOTAS DO, CORONEL F. DE PAULA CIDADE, Ex-professor de história militar. Doação de ambos à Biblioteca Riograndense, da cidade do Rio GrandeLIVRARIA MARTINS, RUA 15 DE NOVEMBRO, 13B, S. PAULO.
Trabalho composto e impresso na EMPRESA GRÁFICA DA "REVISTA DOS TRIBUNAIS" LTDA. À rua Conde de Sarzedas, 38 — S. Paulo para a LIVRARIA MARTINS em novembro de 1941
domingo, 2 de enero de 2011
Os Quillengues têem um exercício a que chamam ómudinhu
1. Boletim da Sociedade de geographia de Lisboa: Volúmenes 26-27 ,Sociedade de Geografia de Lisboa - 1907 - Vista de fragmentos
... batendo todos um cadenciado de palmas e dando pulos. Chamam-lhe ésáka. Os Quillengues têem um exercício a que chamam ómudinhu, que consiste em saltos prodigiosos em que atiram com as pernas posteriormente para o ar ea cabeça para baixo. E' acompanhado de palmas fortes. 77.»
1. Boletim Cultural: Números 20-25 ,Luanda (Luanda, Angola). Câmara Municipal - 1968 - Vista de fragmentos
... a que chamavam ómudinhu, o qual consistia em «saltos prodigiosos em que atiravam com as pernas posteriormente para o ar ea cabeça para baixo». Este jogo era acompanhado de palmas fortes. Na realidade, esta nota dinâmica do jogo,
Nota del pesquisador: Este modelo de déficit supõe que africanos não tiveram nenhuma arte marcial
como modelo para combinarem movimentos de dança para defender-se. Matthias Assunção propôs recentemente uma hipótese de variante de que o jogo de capoeira é um híbrido, feito da mistura de artes marciais africanas numerosas tais como a cufuinha de Luanda (uma dança de guerra manejando uma faca sem chutes), a bassula de Angola (uma luta em que os oponentes se agarram) e o ómudinhu (uma dança acrobática cimbebasiana de inversão corpórea) (ASSUNÇÃO, 2005, p. 47-66).
Esta teoria indaga: se o jogo de capoeira era um sistema híbrido de luta sob a opressão do cativeiro, por que os escravos não incorporavam os movimentos mais mortais e eficientes da África como os ganchos senegambianos, as artes marciais mistas como eko-cheche e os socos poderosos de boxe de dambe dos Hausas, que podiam ser aprendidos muito mais rápido do que pontapés acrobáticos? Mais importante: não há nenhuma evidência segura das técnicas de bassula ou cufuinha como componentes centrais do jogo de capoeira.7. fuente: Antropolítica N iterói, n. 24, p. 103-124, 1. sem. 2008
... batendo todos um cadenciado de palmas e dando pulos. Chamam-lhe ésáka. Os Quillengues têem um exercício a que chamam ómudinhu, que consiste em saltos prodigiosos em que atiram com as pernas posteriormente para o ar ea cabeça para baixo. E' acompanhado de palmas fortes. 77.»
1. Boletim Cultural: Números 20-25 ,Luanda (Luanda, Angola). Câmara Municipal - 1968 - Vista de fragmentos
... a que chamavam ómudinhu, o qual consistia em «saltos prodigiosos em que atiravam com as pernas posteriormente para o ar ea cabeça para baixo». Este jogo era acompanhado de palmas fortes. Na realidade, esta nota dinâmica do jogo,
Nota del pesquisador: Este modelo de déficit supõe que africanos não tiveram nenhuma arte marcial
como modelo para combinarem movimentos de dança para defender-se. Matthias Assunção propôs recentemente uma hipótese de variante de que o jogo de capoeira é um híbrido, feito da mistura de artes marciais africanas numerosas tais como a cufuinha de Luanda (uma dança de guerra manejando uma faca sem chutes), a bassula de Angola (uma luta em que os oponentes se agarram) e o ómudinhu (uma dança acrobática cimbebasiana de inversão corpórea) (ASSUNÇÃO, 2005, p. 47-66).
Esta teoria indaga: se o jogo de capoeira era um sistema híbrido de luta sob a opressão do cativeiro, por que os escravos não incorporavam os movimentos mais mortais e eficientes da África como os ganchos senegambianos, as artes marciais mistas como eko-cheche e os socos poderosos de boxe de dambe dos Hausas, que podiam ser aprendidos muito mais rápido do que pontapés acrobáticos? Mais importante: não há nenhuma evidência segura das técnicas de bassula ou cufuinha como componentes centrais do jogo de capoeira.7. fuente: Antropolítica N iterói, n. 24, p. 103-124, 1. sem. 2008
jueves, 30 de diciembre de 2010
1816-RIO -Reaparecen Capoeiras "jogando" y en desordenes,
Revista Brasileira de História, Print version ISSN 0102-0188, Rev. Bras. Hist. vol.26 no.52 São Paulo Dec. 2006, doi: 10.1590/S0102-01882006000200009
DOSSIÊ: ESCRAVIDÃO, A África carioca em lentes européias: corpos, sinais e expressões1
Eneida Maria Mercadante Sela, UNICAMP
Ferdinand Denis(1816) também descreve as músicas e danças pelo viés das nações africanas, ainda que sem maiores especificações:
Não sei qual o viajante, é Golbery, creio, que disse que a certa hora da noite toda a África estava em dança, e que os negros dançavam mesmo no meio das sepulturas. Passando à América, suportando a dura lei da escravidão, os negros nada perderam de seu amor por seu exercício de predileção; conservam o uso de todos os instrumentos próprios de sua nação: a banza, o tambor congolês, o monocórdio de Loango soam continuamente nas ruas do Rio de Janeiro. Suas danças nacionais se improvisam em todos os lugares onde estejam seguros de que não serão interrompidos. O batuque, que alternativamente exprime as repulsas e os prazeres do amor; a capoeira, em que se finge o combate; o lundu, que mesmo no teatro se dança, e cuja graça consiste principalmente num movimento particular das partes inferiores do corpo ... todas essas danças apaixonantes que mil vezes têm sido descritas pelos viajantes, executam-se no Rio de Janeiro, como tinham tido lugar em nossas colônias e como se hão de executar em toda a parte onde houver negros, mudando somente de denominações. (Denis, cit., p.156-8) fuente: DENIS, Ferdinand. Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Ed. USP, 1980
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882006000200009&script=sci_arttext&tlng=en
DOSSIÊ: ESCRAVIDÃO, A África carioca em lentes européias: corpos, sinais e expressões1
Eneida Maria Mercadante Sela, UNICAMP
Ferdinand Denis(1816) também descreve as músicas e danças pelo viés das nações africanas, ainda que sem maiores especificações:
Não sei qual o viajante, é Golbery, creio, que disse que a certa hora da noite toda a África estava em dança, e que os negros dançavam mesmo no meio das sepulturas. Passando à América, suportando a dura lei da escravidão, os negros nada perderam de seu amor por seu exercício de predileção; conservam o uso de todos os instrumentos próprios de sua nação: a banza, o tambor congolês, o monocórdio de Loango soam continuamente nas ruas do Rio de Janeiro. Suas danças nacionais se improvisam em todos os lugares onde estejam seguros de que não serão interrompidos. O batuque, que alternativamente exprime as repulsas e os prazeres do amor; a capoeira, em que se finge o combate; o lundu, que mesmo no teatro se dança, e cuja graça consiste principalmente num movimento particular das partes inferiores do corpo ... todas essas danças apaixonantes que mil vezes têm sido descritas pelos viajantes, executam-se no Rio de Janeiro, como tinham tido lugar em nossas colônias e como se hão de executar em toda a parte onde houver negros, mudando somente de denominações. (Denis, cit., p.156-8) fuente: DENIS, Ferdinand. Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Ed. USP, 1980
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882006000200009&script=sci_arttext&tlng=en
martes, 28 de diciembre de 2010
1602- Joao Rodrigues Coutinho Campaign
§IV.His return to the Portugah : invasions of diverse countries ; abuses ; fligJitfrom them and living in the woods diverse months ; his strange boat, and coming to Loango. Joao Rodrigues Coutinho Campaign, 1602.]
Being departed from the Gagas I came to Masangano, where the Portugals have a town of garrison. There was at that time a new Governor, which was called Sienor luan Coutinho (*) who brought authority to conquer the mines or mountains of Cambamba ; and to perform that service the King of Spain had given him seven years' custom of all the slaves and goods that were carried thence to the West Indies, Brazil, or whithersoever, Math condition that he should build three castles, one in Demba, which are the salt mines, the other in Cambamba, which are the silver mines, and the other in Bahia das Vaccas, or the Bay of Cows.
(*)Traducción pesquisador: autoridad que conquistó las minas y montañas de Cambamba, y para prestó este servicio al Rey de España que le había dado por siete años todos los esclavos y los bienes que se llevaron de allí a Indias Occidentales, Brasil o donde quiera, a condición de que debía construir tres castillos, uno en Demba, que son los minas de sal, el otro en Cambamba, donde están las minas de plata, y el otro en Bahía das Vaccas, o de la bahía de las vacas. Este caballero era tan acojedor a su llegada que su fama se extendió por todo el Congo, mulatos y negros vinieron voluntariamente para servirle.
FUENTE: THE STRANGE ADVENTURES, ANDREW BATTELL, OF LEIGH, IN ANGOLA AND THE ADJOINING REGIONS., REPRINTED FROM '' PURCHAS HIS PIIGRIMES, HISTORY OF KONGO AND ANGOLA, BYE. G. RAVENSTEIiN.
Being departed from the Gagas I came to Masangano, where the Portugals have a town of garrison. There was at that time a new Governor, which was called Sienor luan Coutinho (*) who brought authority to conquer the mines or mountains of Cambamba ; and to perform that service the King of Spain had given him seven years' custom of all the slaves and goods that were carried thence to the West Indies, Brazil, or whithersoever, Math condition that he should build three castles, one in Demba, which are the salt mines, the other in Cambamba, which are the silver mines, and the other in Bahia das Vaccas, or the Bay of Cows.
(*)Traducción pesquisador: autoridad que conquistó las minas y montañas de Cambamba, y para prestó este servicio al Rey de España que le había dado por siete años todos los esclavos y los bienes que se llevaron de allí a Indias Occidentales, Brasil o donde quiera, a condición de que debía construir tres castillos, uno en Demba, que son los minas de sal, el otro en Cambamba, donde están las minas de plata, y el otro en Bahía das Vaccas, o de la bahía de las vacas. Este caballero era tan acojedor a su llegada que su fama se extendió por todo el Congo, mulatos y negros vinieron voluntariamente para servirle.
FUENTE: THE STRANGE ADVENTURES, ANDREW BATTELL, OF LEIGH, IN ANGOLA AND THE ADJOINING REGIONS., REPRINTED FROM '' PURCHAS HIS PIIGRIMES, HISTORY OF KONGO AND ANGOLA, BYE. G. RAVENSTEIiN.
martes, 21 de diciembre de 2010
viernes, 17 de diciembre de 2010
martes, 14 de diciembre de 2010
1843-BOSQUIMANOS danza orígen de la Capoeira Angola
FUENTE: Viagens e Apontamentos de um Portuense em África, Porto, António Francisco Ferreira da Silva
UC Biblioteca Geral 1, 1941 - 253 páginas
http://books.google.es/books?id=G6K7zeEVoXoC&dq=bosquimanos+kung&source=gbs_navlinks_s
Mestre Noronha,
Mestre Noronha,
Tem toda formação dos jogos da Capoeira Angola. Este livro que vou lançar em praça tem toda malícia que o mundo deve saber sobre o que é uma luta de grande valor que o mundo quer tapear o seu fundamento, porém, nunca teve um mestre para dar esta entrevista. Eu, Mestre Daniel Coutinho, conhecido por Noronha, vou dar. Têm suas tradições de auto relevo na história da independência do Brasil os escravos que eram mandingueiros. Foram convocados no batalhão Quebra Pedra para expulsar os portugueses do território brasileiro; muitos capoeiristas escravos não tinham arma de fogo, brigavam no pé, cabeçada, rasteira, rabo de arraia, joelhada, pedrada e cacetada; foram quem deram a grande vitória aos brasileiros sob o comando do general Lobatú; a batalha mais dura que teve foi em Santo Amaro – Cabrito e Pirajá; Cachoeira foi a batalha mais sangrenta que ouve. Os capoeiristas escravos foram os baluartes desta luta; viva os brasileiros capoeiristas que souberam defender a sua pátria com amor.
A reestruturação do texto original não tem a intenção de “corrigi-lo”, mas servir de auxílio no entendimento do manuscrito. O texto escolhido é a abertura do livro que Mestre Noronha “lançara em praça”. À partir de textos independentes, desenhados pelo punho do próprio mestre, em forma de relatos bastante loquazes, as cerca de 130 páginas foram organizadas pelo historiador do Instituto Mauá de Salvador, Frederico José de Abreu, em 1993.
FUENTE. UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES – UCAM, INSTITUTO DE HUMANIDADES, Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização, Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais, CAPOEIRA ANGOLA RESISTÊNCIA E ARTE, FESTAS, MANDINGAS E VADIAÇÕES, Orientador: Professor Dr. Milton Guran
ANDRÉ FARIAS ZIELONKA, Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista em
Fotografia como Instrumento de Pesquisa Julho de 2004 Curitiba-PR
Tem toda formação dos jogos da Capoeira Angola. Este livro que vou lançar em praça tem toda malícia que o mundo deve saber sobre o que é uma luta de grande valor que o mundo quer tapear o seu fundamento, porém, nunca teve um mestre para dar esta entrevista. Eu, Mestre Daniel Coutinho, conhecido por Noronha, vou dar. Têm suas tradições de auto relevo na história da independência do Brasil os escravos que eram mandingueiros. Foram convocados no batalhão Quebra Pedra para expulsar os portugueses do território brasileiro; muitos capoeiristas escravos não tinham arma de fogo, brigavam no pé, cabeçada, rasteira, rabo de arraia, joelhada, pedrada e cacetada; foram quem deram a grande vitória aos brasileiros sob o comando do general Lobatú; a batalha mais dura que teve foi em Santo Amaro – Cabrito e Pirajá; Cachoeira foi a batalha mais sangrenta que ouve. Os capoeiristas escravos foram os baluartes desta luta; viva os brasileiros capoeiristas que souberam defender a sua pátria com amor.
A reestruturação do texto original não tem a intenção de “corrigi-lo”, mas servir de auxílio no entendimento do manuscrito. O texto escolhido é a abertura do livro que Mestre Noronha “lançara em praça”. À partir de textos independentes, desenhados pelo punho do próprio mestre, em forma de relatos bastante loquazes, as cerca de 130 páginas foram organizadas pelo historiador do Instituto Mauá de Salvador, Frederico José de Abreu, em 1993.
FUENTE. UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES – UCAM, INSTITUTO DE HUMANIDADES, Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização, Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais, CAPOEIRA ANGOLA RESISTÊNCIA E ARTE, FESTAS, MANDINGAS E VADIAÇÕES, Orientador: Professor Dr. Milton Guran
ANDRÉ FARIAS ZIELONKA, Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista em
Fotografia como Instrumento de Pesquisa Julho de 2004 Curitiba-PR
domingo, 12 de diciembre de 2010
miércoles, 8 de diciembre de 2010
1786-BAHÍA Negros dançarem e cantarem em língua de Angola
LUIZ VIANNA FILHO, O NEGRO NA BAHIA, Prefácio de, GILBERTO FREYRE
1 9 4 6, L I V R A R I A J O S É O L Y M P I O E D I T O RA
Rua do Ouvidor, 110, - Rio — Rua dos Gusmões, 104 - São Paulo
Como vimos, ainda em 1786, pediam os negros das confrarias licença para, nas ruas da Bahia, dançarem e cantarem em língua de Angola. Na rua quem estava presente era o bântu. Às suas festas, feitas a céu aberto, incorporava-se, participando desse ou daquele modo, toda a população, inclusive negros sudaneses. Nos folguedos do "Rei congo", nos ranchos do boi, nos sambas, na capoeira, de que tanto se orgulhavam, nas pantominas das "cheganças" ou do "Imperador do Divino", angolas, congos e cabindas dominavam. Nina Rodrigues, acentuando esta procedência para os "cacumbis", disse ser "uma das poucas [tradições] porque este ramo da Raça Negra escapou à assimilação anônima que sofreu no Brasil". (47) A observação, porém, somente será verdadeira se exprimir a integração fácil, livre de grandes reações, silenciosa, e por isso mesmo escapando muita vez à argúcia dos estudiosos do bântu na sociedade colonial da Bahia. Integração, no entanto, que deixou marcas profundas, e cujos traços ainda hoje sobrevivem na população grandemente mesclada de sangue africano. No Recôncavo, principalmente, será possível surpreender essas marcas legadas pelos negros sub-equatoriais. Nas festas mais populares, nas diversões simples dos domingos, aí está alguma cousa a denunciar a origem congo-angolesa. Seja na capoeira, no samba ou no berimbau. O berimbau, de notas uniformes e monótonas, enche tardes inteiras de ócio, agrupando trabalhadores rurais, que espairecem ouvindo o instrumento primitivo. Ao seu som se fazem desafios de capoeira, os contendores envergando uniformes de marinheiro, de calças descidas apenas até ao meio da perna, enquanto os circunstantes acompanham, com palmas, a melodia que se repete. E as horas passam rápidas enquanto os contendores disputam a primazia com golpes de agilidade, e as tardes vão morrendo envolvidas num halo de saudade e de recordação inconsciente das terras africanas.
(47) Nina Rodrigues, Os Africanos no Brasil, pag. 273.
1 9 4 6, L I V R A R I A J O S É O L Y M P I O E D I T O RA
Rua do Ouvidor, 110, - Rio — Rua dos Gusmões, 104 - São Paulo
Como vimos, ainda em 1786, pediam os negros das confrarias licença para, nas ruas da Bahia, dançarem e cantarem em língua de Angola. Na rua quem estava presente era o bântu. Às suas festas, feitas a céu aberto, incorporava-se, participando desse ou daquele modo, toda a população, inclusive negros sudaneses. Nos folguedos do "Rei congo", nos ranchos do boi, nos sambas, na capoeira, de que tanto se orgulhavam, nas pantominas das "cheganças" ou do "Imperador do Divino", angolas, congos e cabindas dominavam. Nina Rodrigues, acentuando esta procedência para os "cacumbis", disse ser "uma das poucas [tradições] porque este ramo da Raça Negra escapou à assimilação anônima que sofreu no Brasil". (47) A observação, porém, somente será verdadeira se exprimir a integração fácil, livre de grandes reações, silenciosa, e por isso mesmo escapando muita vez à argúcia dos estudiosos do bântu na sociedade colonial da Bahia. Integração, no entanto, que deixou marcas profundas, e cujos traços ainda hoje sobrevivem na população grandemente mesclada de sangue africano. No Recôncavo, principalmente, será possível surpreender essas marcas legadas pelos negros sub-equatoriais. Nas festas mais populares, nas diversões simples dos domingos, aí está alguma cousa a denunciar a origem congo-angolesa. Seja na capoeira, no samba ou no berimbau. O berimbau, de notas uniformes e monótonas, enche tardes inteiras de ócio, agrupando trabalhadores rurais, que espairecem ouvindo o instrumento primitivo. Ao seu som se fazem desafios de capoeira, os contendores envergando uniformes de marinheiro, de calças descidas apenas até ao meio da perna, enquanto os circunstantes acompanham, com palmas, a melodia que se repete. E as horas passam rápidas enquanto os contendores disputam a primazia com golpes de agilidade, e as tardes vão morrendo envolvidas num halo de saudade e de recordação inconsciente das terras africanas.
(47) Nina Rodrigues, Os Africanos no Brasil, pag. 273.
martes, 7 de diciembre de 2010
O Velho Félix e suas "memórias de um Cavalcanti".
.........................Capoeiras negros e mulatos, cabras ligeiros na arte da rasteira, do rabo-de-arrais, do arrastão, no manejo do cacête, da navalha, da faca de ponta, tornaram-se guarda-costas não só de homens do govêrno mais violentos como de políticos oposicionistas mais irrequietos. Os capoeiras do Recife, como os do Rio, eram quase sempre mulatos de gaforinha, andar gingado, lenço encarnado no pescoço. Por debaixo da camisa, raro era o que não levasse oração fechando-lhe o corpo às balas da polícia e às facas dos outros cabras. Às vêzes ostentavam tatuagens no peito, no braço ou noutras partes do corpo: corações, signo-salmão, âncoras, sereias e nomes de mulheres. Quase todos gostavam de sua branquinha ou aguardente de cana; de seu violão; de ostentar seu dente de outro; e todos tinham nomes de guerra pitorescos: Canhoto, Sabe-Tudo, Bode-Ioiô, Pé-de-Pilão, Rabo-de-Arraia, Bentinho do Lucas, Nascimento Grande.
Nascimento Grande foi o último grande capoeira do Recife: morreu há três quatro nos, já velho e doente, no Rio de Janeiro, num sítio de Jacarepaguá onde o acolhêra José Mariano Filho. Passara da Monarquia à República; eu próprio ainda ovi, com olhos de menino de onze anos, seguindo como guarda-costas o carro triunfante - carro aberto, a capota arriada - em que o General Dantas Barreto, duro, pequeno e de pince-nez, entrou em 1972 no Recife ao som da Vassourinha:
"Salvai, salvai, querido general !"
Recife --- 1939-1957.
G . F.
Fonte: FREYRE, Gilberto. O Velho Félix e suas "memórias de um Cavalcanti". Rio de Janeiro: José Olympio, 1959. 142p.
Nascimento Grande foi o último grande capoeira do Recife: morreu há três quatro nos, já velho e doente, no Rio de Janeiro, num sítio de Jacarepaguá onde o acolhêra José Mariano Filho. Passara da Monarquia à República; eu próprio ainda ovi, com olhos de menino de onze anos, seguindo como guarda-costas o carro triunfante - carro aberto, a capota arriada - em que o General Dantas Barreto, duro, pequeno e de pince-nez, entrou em 1972 no Recife ao som da Vassourinha:
"Salvai, salvai, querido general !"
Recife --- 1939-1957.
G . F.
Fonte: FREYRE, Gilberto. O Velho Félix e suas "memórias de um Cavalcanti". Rio de Janeiro: José Olympio, 1959. 142p.
sábado, 4 de diciembre de 2010
1815-UMBIGADA en Brasil

libro: (pag294)África en América Latina Escrito por Manuel Moreno Fraginals. http://books.google.es/books?id=Oe2YbbO7cpoC&printsec=frontcover&source=gbs_navlinks_sLIBRO: PESCADORES E ROCEIROS - ESCRAVOS E FORROS .(PAG 16) http://books.google.es/books?id=yip-pLiRZ-EC
jueves, 2 de diciembre de 2010
1872- ANGOLA- Baron Statham, John Charles
MUSICAL INSTRUMENTS 221
(Traducción :Javier Rubiera)
Es un instrumento musical curioso y antiguo, posiblemente particular a Angola, que se utiliza más para la señalización que para hacer canciones; llamado el "engongui" por los nativos, y todavía está en uso y lo describe e ilustra Cavazzi en sus 250 años de historia de Angola. El “engongui” consta de dos campanas, como las del ganado , paralelas y unidas entre sí por una barra de hierro o bronce. Sólo puede ser poseído por un gran jefe, y fue llevado en los viejos tiempos por las caravanas de esclavos para anunciar su llegada, y cualquier noticia de la guerra y la paz a lo largo de las carreteras.
Un instrumento musical que no se podría utilizar en la buena sociedad es un arco al que se adjunta una pequeña calabaza. El borde de la calabaza se pone en el estómago del jugador, mientras golpea la cuerda con el pulgar y los dedos de la mano libre. "Little Mary" actúa como caja de resonancia, y la profundidad de la nota depende de la corpulencia de su propietario.
FUENTE: Through Angola, a coming colony (1922), Author: Statham, John Charles Baron, 1872-Subject: Hunting -- Angola; Angola, Publisher: Edinburgh : W. Blackwood & sons, Possible copyright status: NOT_IN_COPYRIGHT, Language: English, Call number: SRLF:LAGE-140555, Book contributor: University of California Libraries, Collection: cdl; americana.
(Traducción :Javier Rubiera)
Es un instrumento musical curioso y antiguo, posiblemente particular a Angola, que se utiliza más para la señalización que para hacer canciones; llamado el "engongui" por los nativos, y todavía está en uso y lo describe e ilustra Cavazzi en sus 250 años de historia de Angola. El “engongui” consta de dos campanas, como las del ganado , paralelas y unidas entre sí por una barra de hierro o bronce. Sólo puede ser poseído por un gran jefe, y fue llevado en los viejos tiempos por las caravanas de esclavos para anunciar su llegada, y cualquier noticia de la guerra y la paz a lo largo de las carreteras.
Un instrumento musical que no se podría utilizar en la buena sociedad es un arco al que se adjunta una pequeña calabaza. El borde de la calabaza se pone en el estómago del jugador, mientras golpea la cuerda con el pulgar y los dedos de la mano libre. "Little Mary" actúa como caja de resonancia, y la profundidad de la nota depende de la corpulencia de su propietario.
FUENTE: Through Angola, a coming colony (1922), Author: Statham, John Charles Baron, 1872-Subject: Hunting -- Angola; Angola, Publisher: Edinburgh : W. Blackwood & sons, Possible copyright status: NOT_IN_COPYRIGHT, Language: English, Call number: SRLF:LAGE-140555, Book contributor: University of California Libraries, Collection: cdl; americana.
sábado, 20 de noviembre de 2010
“brincaban al son de la música”
NOTA DEL PESQUISADOR:
1) Concise Oxford Spanish Dictionary © 2005 Oxford University Press:
Jig 1 /dʒɪg/ sustantivo ,1)(dance) giga f, 2) (Tech) plantilla f de guía
Jig 2 verbo intransitivo -gg-: they were ~”ging around to the music” “brincaban al son de la música”
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